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Dia do Fuzileiro 2017







Escola de Fuzileiros, em 8 de Julho de 2017
Discurso do Comandante do Corpo de Fuzileiros no Dia do Fuzileiro 17

 




 
 
 
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Barreiro,
               Começo por agradecer a presença de V.Exa. neste dia de grande significado, interpretando-a como uma inequívoca manifestação de consideração e amizade pelo Corpo de Fuzileiros.
A presença de V. Exa. é um testemunho vivo de uma relação que vai muito para além dos laços institucionais. Uma relação fraterna que esta Casa mantém com o município e as gentes do barreiro.
Muito obrigado Sr. Presidente!
 
 
Sr. Presidente da Associação de Fuzileiros, caro Camarada!
                Permita-me que, na sua pessoa, manifeste o meu profundo agradecimento pelo apoio prestado na organização de mais um Dia do Fuzileiro.
               Mas permita-me ainda dar público testemunho do reconhecimento pelo ímpar serviço que a Associação presta na divulgação de um acervo de gloriosas tradições e serviços prestados ao País, contributo fundamental à preservação da identidade dos Fuzileiros!
 
 
Srs. Antigos comandantes do Corpo de Fuzileiros e da Escola de Fuzileiros,
Srs. Almirantes,
Srs. Oficiais Sargentos e praças,
Ilustres Convidados, minhas Senhoras e meus senhores,
               É-me uma vez mais muito gratificante poder contar com a vossa presença na Casa Mãe dos Fuzileiros, sentindo o apoio, e permitam-me mesmo, o carinho que nutrem por esta vossa casa.
Estar-vos-emos sempre reconhecidos.
 
Fuzileiros,
Este é o vosso Dia!
Começo por me dirigir àqueles que se encontram ausentes por estarem em serviço, a fazer jus ao grito de “Prontos” pela nossa Pátria: no Afeganistão; no Mali; na Republica Centro Africana; a bordo da António Enes na Zona Marítima dos Açores; bordo da Sagres no Atlântico; no Pedrogão em apoio às populações afetadas pelos recentes incêndios; ou em serviço nas nossas Unidades. Por poucos que possam ser, onde estiverem estão por certo a fazer a diferença, e a honrar a Boina Azul Ferrete, porque são Fuzileiros!
Por isso daqui vos expresso o meu agradecimento pelo vosso serviço e sentido de Missão.
Mas este é também, e sobretudo, um Dia de reencontro de gerações, e um dia de partilha e de comunhão entre veteranos e atuais Fuzileiros! É por isso um tributo a gerações de Fuzileiros que nos precederem, e a quem devemos o mais sentido respeito.
Sendo um dia festivo, não faria sentido maçar-vos com discursos formais, com balanços de atividade ou menção a perspetivas futuras.
Permitam-me, contudo, que convosco partilhe uma missiva que foi enviada recentemente ao Almirante CEMA, e que passo a citar:
“7 de julho de 2017
Sua Excelência, Senhor Almirante António Silva Ribeiro,
Chegados de Pedrogão, centenas de voluntários anónimos e independentes, juntos num movimento espontâneo sem precedentes, movidos pelo princípio maior que nós, a compaixão pelos nossos pares, e, numa época confusa de inversão de valores onde a crítica fácil impera, sinto o dever de demonstrar o apreço e gratidão sentidas às Forças Armadas Portuguesas, pelo enorme exemplo de Cidadania que nos prestaram.
Escrevo-lhe com o coração cheio, do meu e de todos os outros que lá estiveram. Não lhe venho falar da tragédia, essa não cabe em palavras, nem que coubesse não o saberia escrever, mas sim dos instantes em que inevitavelmente muitos de nós sentimos uma pequena sensação do “fundamento” da vida.
O improvável surgiu, inesperadamente surpreendente, e fez acontecer algo maior. Percebemos ali pela primeira vez, que afinal existem Forças, ausentes do nosso quotidiano, desconhecidas da nossa educação, distantes da nossa formação e cultura, o respeito imposto mas não sentido, ao quase mito que não compreendemos, não as vemos, mas foi ali, num cenário inóspito, que as sentimos.
Ultrapassados os constrangimentos iniciais entre militares e voluntários, rapidamente o by the book deu lugar à interacção espontânea, promovida por ambas as partes, motivada por uma causa comum e sentimentos partilhados, o de ir mais além do previamente estabelecido, porque as circunstancias, simplesmente o requereram. 
Objectivamente, num cenário caótico, num lugar da terra onde nada nem ninguém estava preparado responder a uma adversidade deste tamanho sem fim, com lacunas gigantes transversais à estrutura, logística, organização e emoção, onde as decisões e as respostas foram parcas e lentas e tantas vezes inexistentes por parte das entidades locais competentes, onde o desespero se instalou, destaco em especial o Corpo de Fuzileiros, nomeadamente à Força de Fuzileiros nº1 e nº3, do Batalhão de Fuzileiros nº2, ao Destacamento de Cooperação Civil-Militar, a Polícia do Exército, e, com especial carinho os Militares da cozinha da Tenda de Campanha da Marinha instalada no Quartel dos Bombeiros de Pedrogão, pela sua verticalidade de carácter, disciplina e foco, humanidade, espírito de missão e bem servir, inexcedíveis e inspiradores, nas pontes que criaram entre civis e militares.
A discreta e extraordinária metodologia de intervenção de emergência, a total disponibilidade na cooperação junto dos restantes órgãos operacionais, a resposta célere e eficaz junto das populações atingidas, a capacidade de gestão de meios e conflitos de forma serena e pacificadora, a ordem e segurança, o foco na solução. Constituem assim, um exemplo para todos os intervenientes, no respeito demonstrado pela dignidade das perdas humanas e materiais, na proximidade com a sociedade civil, na humanização da sua presença, foram e são, agora, para todos nós, uma fonte de inspiração.
Percebemos assim, que todos os Homens são seres humanos e a que rigidez inerente à sua condição de vida profissional não viola os princípios fundamentais da solidariedade.
Apelando à reflexão, inspirando-me na impermanência da vida, muito embora, lamentavelmente, o futuro sorridente dos protagonistas deste horror esteja longínquo do “renascimento”, acredito no voo de Fênix, e Vossas Exas, com bravura, como parte integrante na resposta nos passos do caminho, neste e noutros acontecimentos vindoiros, na aproximação das Forças Armadas à sociedade civil, e, especialmente às novas gerações como contributo fulcral na construção dos valores da cidadania e modelo inspirador.
É com profundo respeito, admiração e gratidão, que em meu nome, e, seguramente em nome de todos os voluntários presentes no auxilio às populações dos incêndios de Pedrogão e demais concelhos afectados, que Vos parabenizo, com um forte abraço de amizade.
Desejos das maiores alegrias,
Muito obrigada,
Melhores Cumprimentos,
Marisol Benites”
Fim de citação.
 
Como Comandante do Corpo de Fuzileiros, não poderia estar mais orgulhoso depois de vos ler este testemunho de uma nossa concidadã! Ele traduz o que é ser Fuzileiro: Estar Pronto a servir, abnegadamente e sem esperar recompensa!
Não foi uma missão de combate, mas não há missões menores para os Fuzileiros. Os nossos concidadãos precisaram de nós, e estivemos presentes!
E esta Prontidão e este Espírito de Missão herdámo-lo das sucessivas gerações de Fuzileiros que nos antecederam, assim as honrando, porque quem não honra o seu passado não tem futuro!
 
Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal do Barreiro,
Sr. Presidente da Associação de Fuzileiros,
Srs. Antigos Comandantes do Corpo de Fuzileiros e da Escola de Fuzileiros,
Srs. Almirantes,
Srs. Oficiais Sargentos e Praças,
Ilustres Convidados, minhas Senhoras e meus Senhores,
Fuzileiros,
Este Dia do Fuzileiro é uma manifestação inequívoca da vitalidade de um Corpo com quase 400 anos de vida, no ano em que a Marinha celebra os seus 700 anos!
Antes de terminar, gostaria de endereçar um sentido agradecimento aos familiares de todos os Fuzileiros aqui presentes.
Sem o vosso apoio, silencioso, anónimo, mas sempre sofrido, os vossos Fuzileiros não conseguiriam ser os militares dedicados e a referência que são. Não passarão pelas provações diretas das Missões mas sofrem, na partida e nas ausências, com a mesma galhardia e dedicação dos que vos são queridos, e por isso, em nome do Corpo de Fuzileiros, vos agradeço reconhecidamente do fundo do coração!
 
Bem hajam!
Termino assim, reiterando o agradecimento pela presença de todos os que quiseram e puderam estar connosco neste momento de grande significado, desejando que tenham um Dia do Fuzileiro preenchido de emoções, e que ao sair pelas portas desta Casa Mãe se sintam preenchidos na vossa Alma de Fuzileiros!
Muito obrigado!
 






CCF
12-07-2017 10:00